UMBERTO
COSTA BARROS

1948 — Rio de Janeiro
Vive e trabalha no Rio de Janeiro

Umberto Costa Barros

Abaixo a Ditadura

Formado pela Escola de Arquitetura e Urbanismos da UFRJ, Umberto Costa Barros foi um dos integrantes da chamada Geração AI-5, à partir da segunda metade dos anos 1960. Essa década foi marcada pela atuação de duas gerações importantes no cenário da história da arte brasileira.

A primeira geração foi constituída por Antônio Dias, Rubens Gerchmam, Roberto Magalhães e Carlos Vergara e influenciada pela Pop Art Norte Americana e pela Nova Figuração Europeia. Esta geração ficou conhecida principalmente a partir da exposição Opinião 65.

Essa exposição foi uma primeira tentativa de opinar sobre a situação da arte brasileira e simultaneamente sobre a nova realidade política do país após o Golpe Militar de 1964.

A segunda geração, conhecida como Geração AI-5, da qual pertenceu Umberto Costa Barros, Cildo Meireles, Antônio Manuel, Wanda Pimentel, Claudio Paiva, Artur Barrio, Raimundo Colares, começam atuar no período mais duro da ditadura militar.

Ato Institucional – 5

Com o resultado da publicação do Ato Institucional número 5, que foi o dia 13 de dezembro de 1968, acabaram  vivenciando torturas, prisões, exílio e todas as consequências desse ato. Consequentemente, a repressão afetou a atuação das galerias de arte, dos museus e instituições culturais e diante da impossibilidade de mostrar suas obras.

Enquanto isso, esses artistas precisaram adotar, como tática, em participar de todos os Salões e Bienais que eram realizados neste período. Uma forma de manter visibilidade as suas obras.

Espaço político

Assim como na exposição Do Corpo a Terra, realizada na década de 70 no Palácio das Artes, nessa nova exposição em Belo Horizonte, Umberto cria obras específicas para o espaço da galeria. Agora como arquiteto, cria uma  arquitetura eclética e tombada, pensando no local tanto como um espaço físico quanto um espaço político da arte.

Nesta exposição, Umberto se interessa pelo espaço através do objeto e do trabalho gráfico, realizando intervenções de organização e desorganização dos elementos constitutivos onde propõe seu trabalho artístico.

Na ocasião de “Sangue sem voz”, além das obras específicas, a galeria Periscópio Arte Contemporânea lançará a publicação da entrevista entre o artista e o curador Frederico de Morais. Esta entrevista foi realizada em maio do ano de 2020, remontando um encontro ocorrido em Belo Horizonte da exposição Do Corpo a Terra.

DO CORPO A TERRA 

Como resultado, o evento Do Corpo à Terra tornou-se um marco na arte brasileira, cujas manifestações, ou situações propostas pelos artistas ocorreram em espaços públicos significativos da cidade de Belo Horizonte.

Essas manifestações ocorreram no Parque Municipal, no Ribeirão Arrudas e na Serra do Curral, além de promover intervenções na rua, em frente ao Palácio das Artes. 

Juntamente, este evento foi parte com a exposição Objeto e Participação da Semana de Vanguarda, realizada em abril de 1970. Foi organizada por Mari’Stella Tristão, coordenada por Frederico Morais e patrocinada pela Hidrominas, um órgão do governo do Estado de Minas Gerais, para comemorar a inauguração do Palácio das Artes e a Semana da Inconfidência.

Participaram da exposição e do evento vinte e cinco artistas: Alfredo José Fontes, Artur Barrio, Carlos Vergara, Cildo Meireles, Décio Noviello, Dileny Campos, Dilton Araújo, Eduardo Ângelo, Franz Weissman, George Helt, Lee Jaff e Hélio Oiticica.

Também participaram Ione Saldanha, José Ronaldo Lima, Lotus Lobo, Luciano Gusmão, Luiz Alfhonsus, Manoel Serpa, Manfredo de Souzanetto, Orlando Castaño, Yvone Etrusco, Teresinha Soares, Thereza Simões, Umberto Costa Barros e Frederico Morais. 

Nesta exposição, Frederico Morais atuou como curador, crítico e artista, demonstrando uma postura diferente, “na medida em que ele transformou a crítica em criação poética”. Não houve catálogo. Para a apresentação do evento Frederico Morais escreveu um texto-manifesto, mimeografado e distribuído entre os participantes e o público.

Texto-manifesto

Naquele texto percebia-se um tom incisivo, a exemplo dos manifestos das chamadas vanguardas históricas. Nele,  Frederico Morais reivindicava espaço de liberdade de expressão no país.

Neste momento, assumia uma atitude provocadora frente ao regime militar, onde a afirmação poderia ser temerária. “Mas tenho pra mim que não existe “ideia” (sic) de Nação sem que ela inclua automaticamente a “ideia” (sic) de arte.”

Seguramente, a arte é parte de qualquer projeto de Nação, onde integra a consciência nacional. Noutro sentido, pode-se dizer que a arte toca diretamente o problema da liberdade. A arte é, na verdade, um exercício experimental da liberdade. Claro, também, é o exercício criador efetivo quanto a liberdade.

Em outras palavras, a ideia de arte é entendida por Morais como parte do projeto de Nação, e a palavra liberdade, mencionada várias vezes no texto, é colocada, por sua vez, como parte da ideia de arte. Ou seja, não havia como separar arte, liberdade e Nação.

No Manifesto, Frederico Morais enfatizava ainda o caráter vital e social da arte, pontuando que “a repressão ao espírito lúdico do homem é uma ameaça à própria vitalidade social.

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