RODRIGO
ALBERT

1975 — Belo Horizonte
Vive e trabalha entre o Brasil e o México

Rodrigo Albert

Trajetória

Rodrigo Albert é um artista brasileiro. Começou a se destacar no início de 2005 com a exploração da fotografia focada em questões políticas e sociais, na relação entre arte e violência, vida e morte. Em 2006 vence o Premio Nacional de Fotografia Pierre Verger, um dos prêmios mais importantes da fotografia brasileira. No mesmo ano é indicado para o World Press Photo Joop Swart Masterclass, Fundação World Press Photo, Holanda.

Na sua mudança para Paris, em 2009, onde morou por dois anos, o artista resolve produzir a série “Da janela do quarto”, onde ganha o Premio SFR/Polka, “A verdade pela imagem” 2010, escolhido pelo fotógrafo francês Marc Riboud (Magnum Photos). Em 2010, recebe Menção especial no Grande Prêmio de Fotografia SFR Jovem Talento 2010, escolhido pela fotógrafa espanhola Isabel Muñoz. Também foi selecionado para o Descobrimientos PHOTOEspña 2010.

Após morar em Paris, Rodrigo Albert resolve se radicar no México, em 2011,  onde começa a inserir em suas investigações, o vídeo, a instalação e a escultura. Neste período, é convidado para participar do livro “A book of beds” da prestigiada revista FOAM, em Amsterdã, Holanda. Em 2013, convidado pela curadora Ingrid Suckaer, apresenta o projeto: “Carcel e Libertad en Brasil” no Festival Internacional Cervantino em Guanajuato, México.

Principais exposições

Como resultado de suas inquietações, seus trabalhos acaba sendo apresentados em exposições individuais e coletivas em vários países da América Latina, Europa e Ásia, como: Zona de Perigo que integra o Prêmio Cni Sesi Marcantonio Vilaça no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães em Recife e no Museu Oscar Niemeyer em Curitiba, Brasil; Geração 00 no Sesc Belenzinho em São Paulo, Brasil; Festival de Fotografia de Arles; ParisPhoto no Grand Palais e ParisPhoto no Corroussel Louvre; Galeria Polka e Museu do Montparnasse em Paris e Centro Regional de Arte Contemporânea em Sète, França; Museu MAMAC na Bélgica; e galeria China House em  Penang, Malásia.

Por consequência das exposições, algumas das suas obras são direcionadas para acervos particulares e institucionais, como: Instituto Itaú Cultural, em São Paulo, Brasil; Coleção Pirelli/MASP do Museu de Arte de São Paulo, Brasil; Tribunal de Justiça de MG, Brasil; Centro Cultural Pole Sud, Rennes, França; SFR, Paris, França; Centro Municipal de Fotografia em Montevidéu, Uruguai.

Atualmente divide sua vida entre o Brasil e o México. É representado no Brasil pela Periscópio Arte Contemporâneo, em Belo Horizonte e na Europa pela agencia Picturetank com sede em Paris.

TERRA PROMETIDA

Durante o processo de trabalhos realizados em 2002 e 2015, como temas de fé, religião, liberdade e culpa, agora recebem o nome de Terra prometida.

Como resultado da violência, vivido em sua juventude na sua cidade natal, Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte/MG, acabou aguçando o interesse por fotos sobre o tema. “Em meu bairro, convivia com muitas gangues de rua e cheguei a ver amigos serem presos”, lembra Albert.

À partir de então, com o convite formalizado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais para registrar o dia a dia dos Centros de Reintegração Social, Rodrigo Albert tem o projeto apoiado pela Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac), que dá maior liberdade e autonomia aos detentos.

Assim sendo, nas visitas às unidades mineiras de Itaúna, Nova Lima e Santa Luzia, nasceu o desejo de desenvolver um projeto de autor dentro de um tema que julgava amplo e autêntico. “Pedi autorização para fotografar presídios comuns. Cheguei a registrar o início do sistema de tornozeleiras eletrônicas, que hoje estão na moda”, brinca o fotógrafo.

ENCARCERADO

No princípio de sua experiência, Albert relembra das suas dificuldades: “As primeiras idas foram complicadas. Eu era um estranho, então, não chegava perto deles e vice-versa. Fui me aproximando de um e outro, fazendo minhas fotos artísticas e outras para que eles pudessem dar às famílias. Assim, conquistei o meu espaço”.

Ainda assim, desafiando seu propósito, Albert se propõe, em 2010, um desafio em passar dois finais de semana encarcerado. A experiência – tenebrosa, à primeira vista, mas com a qual ele acabou se habituando com o passar dos dias – foi motivada pela necessidade de imersão naquele universo. “Foi uma mistura de juventude, empolgação e vontade de fazer algo totalmente diferente. Também tenho minhas culpas, que inconscientemente me levaram a isso. Hoje, aos 43, talvez não o fizesse.”

Segundo o fotógrafo, um dos sentimentos mais recorrentes entre os detentos é justamente a culpa – da qual não se eximem enquanto não pagam suas dívidas com a sociedade. “É um sentimento muito relacionado à pena que recebem. O criminoso pode pedir desculpa à vítima, ou mesmo fugir da penitenciária, mas não há como fugir da culpa que carrega na mente.”

RELIGIÃO

À partir da observação nos presídios, a Fé foi um outro elemento que se repetia durante o processo de vivência. No Brasil, há um culto às figuras e simbolismos católicos. Já no México, para onde o fotógrafo partiu em 2015, os presos são devotos da Santa Morte, venerada por narcotraficantes e rechaçada como santa pela Igreja Católica. Nos dois países, as histórias ouvidas e os desenhos nas paredes revelam ao artista semelhanças, como a adoração à morte, ao amor e ao sagrado.

Pode-se perceber o sincretismo religioso que surge nas fotografias de forma orgânica. Não houve qualquer predisposição do artista em dar atenção especial à fé dos detentos, ainda que ela apareça em boa parte da obra. O conceito de Terra prometida, que dá nome à mostra, fala tanto da promessa de vida eterna em um plano superior quanto do mundo que aguarda os detentos após cumprirem suas penas.

Assim, as fotografias são marcadas por uma profusão de cores, que contrastam com a representação habitual dos presídios, quase sempre sombrios. “Extraí o mundo em que eles vivem: o mesmo, colorido, em que vivemos”, afirma Albert. “Trabalho com mais imagens mais claras, até porque o sistema carcerário prega o desenvolvimento do ser humano. Não poderia optar pelo lado escuro desses ambientes, pois não estaria em acordo com os propósitos da Apac, que deu início ao projeto”, avalia.

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