RANDOLPHO LAMONIER

1988  Coronel Fabriciano
Vive e trabalha em Belo Horizonte

RANDOLPHO LAMONIER

O artista mineiro, Randolpho Lamonier, nasceu no Coronel Fabriciano, em 1988. é artista visual e desenvolve trabalhos em diversas mídias, sobretudo a fotografia articulada a outras linguagens. Atuante no circuito independente de Belo Horizonte, trata também da própria vivência cotidiana nessa cidade como forma de trabalho, na qual a fotografia protagoniza múltiplas formas de troca simbólica.

Graduando em Artes Visuais na Escola de Belas Artes da UFMG, vive e trabalha em Belo Horizonte.

“República da cobra”

Quem desperta de um sonho agitado experimenta sempre a consciência suspensa, como num balanço instável. Enquanto vamos voltando a nos localizar no espaço e no tempo e a perceber nossos membros, também é possível experimentar os efeitos das visões que nos acometeram quando dormíamos: as livres associações, os enredos improváveis, os encontros impossíveis.

Nesse estado mental, medos e desejos se mordem, memórias pessoais e episódios históricos se costuram, e reelaboramos o mundo de mil maneiras, sentindo no corpo como seria se fosse.

Eternos experimentos

Talvez só seja possível ser contemporâneo à nossa época, ou seja, pertencer verdadeiramente ao nosso tempo, quando experimentamos algo semelhante ao segundo imediato após o sonho. É quando experimentamos uma imaterialidade concreta que, ao mesmo tempo em que afirma uma irrealidade, reproduz no corpo sua materialidade, exercendo nele influência direta.

A imaterialidade dos sonhos intervém sobre a materialidade da vida. Neles somos livres para nos desconectarmos radicalmente das exigências e normas mundanas. Nele somos capazes de processar os fenômenos correntes de todas as formas possíveis, observando suas sombras e escuridões, e os fechos de luz que parecem sempre correr de nós. Só aí somos capazes de pensar criticamente, quando flexionamos os limites da realidade.

Ambiguidade artística

O trabalho de Randolpho Lamonier irrompe na risca que cruza o real com devaneios, o corriqueiro com o absurdo, o pessoal com o nacional, o micro com o macro, o individual com o coletivo, o pertencimento com a repulsa. Objetos encontrados, restos de tecido e incursões textuais criam jogos sintático-semânticos que não se esgotam num único sentido, mas se abrem para inúmeras interpretações e reflexões.

São gestos enfáticos, que enfrentam frontalmente os absurdos cotidianos, as urgências que nos atravessam, denunciando o intolerável e vocalizando consternações, mas interessados sobretudo na potência dos movimentos que desafiam as regras, que resistem e reinventam maneiras de ler o mundo. 

Rumo ao desconhecido

Em suas obras, signos, discursos e narrativas se combinam para nos por em contato com uma certa violência, que não oprime nem produz medo, mas nos tira do nosso campo de cognição, de reconhecimento familiar, para nos lançar no desconhecido, onde as paisagens e as formas ainda não são por completo. Põem em cheque o que nos amarra ao senso comum para deixar furar nosso saco de certezas e verdades.

Cada faixa ou objeto surge em toda sua materialidade, mas também como possibilidade de criar imagens a altura das angústias e dos anseios cotidianos. Numa época em que amar é proibido, um rompante liberador nos lembra que viver é sempre perigoso, mas onde pulsa a vida sempre haverá quem grite, quem se coloque na contramão.

Por Germano Dushá

PREMIAÇÕES:

• “Prêmio Residência Camelo”. Festival Camelo de Arte Contemporânea. Belo Horizonte. 2016
• “Prêmio Incentivo – Bienal Naïfs do Brasil-2016”. Obras premiadas: “Meninos da Vila Cristina” e “Gabriel Fuzilado”. SESC-SP. Piracicaba. 2016
• “Memória da Casa – De dentro e de fora”. Obra premiada: “Arqueologia dos nervos de aço”. EXA. Belo Horizonte. 2013
• “Mostra”. Escola de Belas Artes da UFMG. Obra premiada: “Radiografia do sábado à noite – Protótipo 1”. Centro Cultural da UFMG. Belo Horizonte. 2012

Laboratórios e Residências:

•Expedição ”Objetos da natureza” – Ateliê Espai. Fazenda Sapuá. Itabirito- MG. Julho/2017.
•”Residência Camelo”. Casa Camelo. Belo Horizonte. Outubro-Novembro/2016.
•”Fotoativa em Residência: dois de cá, dois de Lá”. Associação Fotoativa. Orientação/Curadoria Alexandre Sequeira e Armando Queiroz. Belém/PA. Abril-Junho 2015.
• “Exercício para a Liberdade”. Orientação de Brígida Campbell. Memorial Minas Gerais Vale. Belo Horizonte. 2014
• “Exposição de Guerrilha”. Intervenção e exposição em uma casa ocupada. Carmo-Sion. Belo Horizonte. 2014
• “Memória da Casa – De dentro e de fora”. Residência e exposição coletiva.Orientação de Rosa Maria Unda Souki e Sylvia Amélia. EXA. Belo Horizonte. 2012

Obras em acervos públicos:

•”BALACLAVA” (2013-2014). Série fotográfica. Acervo do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. (Aquisição 2016). Belém/PA
•”Jurunas” (2015). Pintura. Acervo do Museu da Universidade Federal do Pará. Museu Casa das Onze Janelas. (Aquisição 2015) Belém/PA
•”Escuro do Rio” (2015). Série fotográfica. Acervo do Museu da Universidade Federal do Pará. (Aquisição 2015). Belém/PA

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