RAFAEL RG

1986 — Guarulhos/SP
Vive e trabalha entre Belo Horizonte e Salvador

Rafael RG

Nascido e criado em Guarulhos, Rafael RG atualmente divide sua moradia e trabalho entre Belo Horizonte e Salvador (Brasil, 2020). Artista e escritor,  formou-se em Artes Visuais pela Universidade de Belas Artes de São Paulo.

Laboratório

Sua prática se concentra nas relações sexuais e afetivas, e suas implicações políticas, bem como questões de identidade racial. Trabalhando com arquivos institucionais e pessoais, ele apresenta sua pesquisa através de oficinas, instalações, textos performativos, publicações e objetos.

Os materiais com os quais Rafael RG trabalha costumam estar intimamente associados a narrativas que envolvem a si mesmo ou a um alter ego de alguma forma e aos projetos resultantes que são próximos ou se assemelham à ficção.

O Fim das cidades

Conforme íamos chegando mais perto desse dia, da abertura dessa exposição minha vontade de mudar o nome da exposição ia crescendo cada vez mais. Logo depois do carnaval pensei que o nome dessa exposição podia ser “O fim das cidades”. Mas a três meses atrás eu fiz um acordo comigo mesmo de que o nome dessa exposição seria “A cidade onde envelheço”.

Acontece que agora é claro para mim que eu não quero mais envelhecer nessa cidade. Ao mesmo tempo que é claro para mim que nessa exposição eu prefiro falar sobre as coisas que me fizeram ser uma pessoa feliz aqui do que sobre as coisas que me fizeram ter a vontade de partir daqui para outra cidade.

PARA RAFAEL RG Essa exposição é também uma despedida

Hoje é dia 18 de abril e  estou numa mesa de um bar na varanda do Maletta. Falta poucos dias para a abertura dessa exposição e enfim as paredes não estão mais vazias. Produzi uma série de trabalhos sobre coisas que vi e que vivi nessa cidade e que me tocaram de alguma forma.

Tive que me concentrar no exercício de transformar afetos pessoais privados em objetos de arte. Esse não é um exercício fácil, mas tem sido essa prática que tem me feito estar vivo.

É PRECISO ACREDITAR

Me parece cada vez mais que a manutenção da sanidade mental diante de tudo que estamos vivendo vem da possibilidade de construirmos lugares onde seja possível parar um pouco e acreditar em algo ínfimo que seja.

Dedicatória

O período dessa exposição é exatamente o período de tempo que ainda tenho nessa cidade. Pode ser que eu me apaixone por alguém e decida ficar, ou pode ser que eu não me apaixone por ninguém, e isso não saberemos agora.

Em certo momento eu pensei em colocar na parede o primeiro nome de todos os garotos da cidade com os quais eu me deitei. Foi uma tarde engraçada que passei relembrando diversas feições, tons de vozes e texturas de cabelos. Mas acabei desistindo dessa ideia e preferi escrever em uma das paredes a seguinte frase: “Alguns dos trabalhos dessa exposição são dedicado a pessoas que eu já amei, pode ser que você seja uma dessas pessoas”

Por Rafael RG.

Conheça as Residências e as Principais Exposições de Rafael RG

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