ilê da mona

        RENATO MORCATTI

24 JUL – 21 AGO 2021

Horário de funcionamento:
Seg a Sex: 10h às 19h
Sáb: 10h às 16h

Registro fotográfico: Eduardo Eckenfels e Henrique Guimarães

 

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[O ilê (e o mocó) da mona]

De certo modo, todo artista (re)cria um universo mítico do qual procede e de onde destaca peças que passam a representar sua forma de estar no mundo. É um processo íntimo e pessoal que se apresenta ao público transfigurado em algumas chaves de leitura. É um processo também que solicita do público uma (pré)disposição para sonhar, explorar fantasias.

Com Ilê da mona, Renato Morcatti dá continuidade a uma experiência de memória afetiva iniciada em Pirajá, sua primeira exposição individual. A casa onde o artista nasceu e viveu seus dez primeiros anos permanece como dínamo propulsor e santuário da matéria que compõe e organiza sua obra. A morada se faz presente a partir de revivescências guiadas pelas lembranças do lugar habitado e que também habita Morcatti ao longo da vida. Desta vez, suas emoções vão em direção à prática artesanal para ornamentação de cruzes de madeira com papel de seda, preparadas para proteger a casa e seus moradores contra o mal do mundo, exercício vivenciado em sua infância.

Esse trabalho manual ressurge na série Mariposa, especialmente na peça A cara a tapa, exposta na vitrine. Frágil e delicada, a obra se encontra em mutação e passará por um experimento de fotodegradação, com exposição constante à luz solar e ultravioleta (luz negra). O processo promoverá a descoloração progressiva de suas cores, “envelhecendo” ou “fazendo nascer”, na medida em que as propriedades da matéria forem sendo transformadas durante o período expositivo.

De outro lado, Renato resgata diferentes azulejos, peles/máscaras que revestem a maior parte das paredes da casa. Essas peças se tornam o fundo dos oito estandartes da série Guia, os quais entronizam uma figura recorrente retratada em posições atrativas. As formas florais ou geométricas dos azulejos são recriadas sobre lona na confecção dos estandartes. A técnica de criação e experimentação com esse tecido rústico se manifesta na habilidade de desenhar, pintar, cortar, amarrar, costurar, fazer nós utilizando o algodão, assim como o carvão, a tinta a óleo e acrílica. De objeto de culto religioso e popular, de prevenção contra maus fluidos, de exposição de divindades protetoras, os estandartes transgridem essas funções e se tornam manifestos irreverentes da mona que preside a este ilê.

Ilê da mona traz consigo um mocó, um esconderijo de outra memória afetiva, uma outra criação artística que não sabemos o quanto é anterior (ou não) ao projeto estético-artístico de Morcatti. Tara Wells ressurge e (re)encontra Re-nato na casa-santuário, no palco dos estandartes, no espaço da matriz religiosa que se torna transgressão. Tara emerge e passa a conviver com o espaço familiar, em uma nova dinâmica ainda a ser explorada e que abre novas perspectivas para a produção do artista.

Nesta nave-galeria, mergulhamos no ilê e no mocó de Renato Morcatti, nas memórias da casa, nas lembranças de Tara. Com uma surpresa adicional: uma vitrine na entrada que poderá funcionar como um prisma óptico, metamórfico, para buscar novas possibilidades de leitura.

Curadoria e texto de Luiz Morando

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