HIPERLINK

COLETIVA

24/FEV — 02/ABR 2016

Horário de funcionamento:
Seg a Sex: 10h às 18:30h
Sáb: 10h às 14h

Registro fotográfico: Eduardo Eckenfels

Periscópio

s.m. Aparelho óptico, formado de lentes e prismas de reflexão total, que permite ver por cima de um obstáculo.

 

Tubo deslizante equipado com um sistema óptico que permite a um submarino mergulhado observar a superfície.

 

Hipertexto

 

 é o termo que remete a um texto ao qual se agregam outros conjuntos de informação na forma de blocos de textos, palavras, imagens ou sons, cujo acesso se dá através de referências específicas, no meio digital denominadas hiperlinks, ou simplesmente links.

 

 Esses links ocorrem na forma de termos destacados no corpo de texto principal, ícones gráficos ou imagens e têm a função de interconectar os diversos conjuntos de informação, oferecendo acesso sob demanda às informações que estendem ou complementam o texto principal. O conceito de “linkar” ou de “ligar” textos foi criado por Ted Nelson nos anos 1960 e teve como influência o pensador francês Roland Barthes, que concebeu em seu livro S/Z o conceito de “Lexia”, que seria a ligação de textos com outros textos. Em termos mais simples, o hipertexto é uma ligação que facilita a navegação dos internautas. Um texto pode ter diversas palavras, imagens ou até mesmo sons que, ao serem clicados, são remetidos para outra página onde se esclarece com mais precisão o assunto do link abordado.

 

 Arquitetura como hipertexto

 

 O Superiscópio insere-se numa investigação que temos desenvolvido recentemente através de alguns projetos: a arquitetura como hipertexto, ou a inserção do link na promenade architecturale.

 

 Pela sua capacidade de ligação direta entre duas realidades distintas, o periscópio permite introduzir, na ancestral narrativa com que se projeta arquitetura, a imediatez do hipertexto.

 

 Os contributos mais recentes do mundo digital cruzam-se cada vez mais com o mundo físico: o airbnb com dormida, o uber com circulação, o instagram com paisagem. A relação dos indivíduos com os espaços altera-se inevitavelmente e é frequente sairmos-sem-sairmos de um espaço em direção a outro através de um celular e uma ligação wifi.

 

 Acreditamos que o periscópio pode introduzir essa liberdade relacional na arquitetura, ligando luz natural a salas interiores, vistas infinitas a varandas limitadas, o fundo à frente, o ver ao não ser visto, o sair-sem-sair.

 

 Hipertexto Periscópico

 

Inevitavelmente falaremos do olhar. Tanto no seu sentido óptico de fenômenos da visão como no seu sentido mais amplo como ponto de vista individual. Conectar planos diversos é a logica do hipertexto e do periscópio. Sistemas de projeção do futuro, maquina de superar os obstáculos da percepção humana. Temos a convicção da Arte como parte fundamental para ver além da superfície, de sairmos-sem-sairmos. O jogo de dois espelhos, a conexão de dois textos e a linha como conexão de dos pontos são relações duais ou múltiplas.  Temos nas mãos a capacidade de aprofundar/submergir ao mesmo tempo que ultrapassamos a superfície através nosso olhar.  Agora não temos a realidade como caminho comum. Podemos fazer links com elementos que jamais estariam juntos. Desse estranhamento, dessa repulsa nessa intolerância se vê a Luz. Ai está o problema! Não se pede, nesse momento, pra conviver. Não é um exercício de tolerância. Como a linha borra os pontos, e a mistura luz cria a cor, precisamos de neologismos visuais. Falaremos aqui de coexistências. Em ultima instância o espaço da Periscópio é o instrumento para dar lugar para dois ou mais artistas, como se fossem espelhos para a reflexão de si, do outro e do espaço a sua volta. O que cabe a todos nós (os nós) está a frente e nosso intervalo é o futuro.

 

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