FÁBIO
TREMONTE

1975 — São Paulo
Vive e trabalha em São Paulo

Fábio Tremonte

O artista paulistano, Fábio Tremonte, nasceu em 1975 na capital de São Paulo, Brasil. Vive e trabalha em São Paulo. Mestre em Artes Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Bacharel em Artes com qualificação em multimídia e intermídia na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Primeiramente, não sei bem por onde começar. Talvez pelo mesmo começo com que há dez anos escrevia sobre a Não sei bem por onde começar. Talvez pelo mesmo começo com que há dez anos escrevia sobre a sua exposição intitulada Nada mais. Me surpreendi ao relê-lo depois de tanto tempo porque poderia usar a mesma epígrafe e até alguns argumentos para falar sobre certos aspectos da sua produção subsequente.

Em consequência, poderia usá-lo, o texto, para pensar a mostra Somos todos riscadores — título que ecoa as palavras de Daniel Cohn-Bendit proferidas nos movimentos de maio de 68 na França: Somos todos indesejáveis, somos todos judeus alemães, e que também reverbera um dos dizeres de Joseph Beuys: Todo mundo é um artista.

Novos horizontes

No entanto, depois do seu mergulho, cada vez mais profundo, em processos artísticos e pedagógicos, procurou se afirmar e a se adensar em seus projetos, a atenção ao pequeno, ao marginal, ao ínfimo, ao comum. Isto depois de acontecimentos cole>vos e colabora>vos, nas teorias anarquistas, no perspectivismo ameríndio e em muitas outras práticas dedicadas a promover uma espécie de libertação ou desvinculação das subjetividades de um mundo que segue agarrado a um modo de vida normativo (e esse é precisamente o mundo da macropolítica).

Portanto, ficou daquele tempo distante a imbricação frequente da figuração com a geometria, que, como os seus desenhos atuais tão bem demonstram, são categorias fluidas, e se as cremos estanques é apenas situando-as em plano ideal.

Desta forma, ficaram do calor daquele verão, o viajante, o coletor, o caráter fragmentar, a utopia — e esta, cada dia mais presente e real, não como o inatingível horizonte, mas como procedimento ou estratégia de recusa à eficácia, substantivo tão valoroso para aquilo que Suely  chama de cafetinagem capitalística da arte. Durante esses dez anos em que caminhamos juntos, não sem tropeços, acompanhei a sua luta contra esse estado de coisas. Acompanhei o desfile de bandeiras, algumas sessões de cabo de guerra, as playlists, a rampa rosa de skate, a breve coleção de insultos, um bloco de carnaval, a palavra dos injustiçados ou em favor deles estampadas nas blackflags.

Novas ideias

Às vezes, querendo estar mais perto, ou às vezes mais longe ainda, segui a distância as sessões de escuta e muitos outros processos. Seja como for, durante esse período e mesmo antes, o desenho sempre foi uma ferramenta da qual você lançou mão para formular ideias, anotar, planejar ações, espaços, situações e encontros.

Mesmo sob o peso que fez você erguer as bandeiras negras e ainda que esse campo escuro que se abriu dividisse o espaço com o verde das estampas vegetais ou o vermelho das primeiras bandeiras havia muito dobradas, o negro — apesar de ser, a rigor, um valor — tornou-se o campo de cor dominante dos seus últimos trabalhos.

Contudo, em seus cadernos que eu tanto amo e não me canso de percorrer, mesmo quando você está ausente, as cores continuam a cintilar atrevidas nas estampas, nas flores, nas folhas, nas máscaras, nos vulcões e nos meteoros riscados sobre os papéis que agora se desprendem alegres da lombada que lhes dava ordem e voam livres em direção ao espaço, inaugurando outro tempo. [ Lais Myrrha ]

Exposições coletivas:

“Abre Alas”, Galeria A Gentil Carioca; 

. “Não Mais Impossível”,  CCBB Fortaleza; 

. “Porque Sim”,  Galeria Millan;

“Exposição de Verão”,  Galeria Silvia Cintra + Box4 (2011);

15º Salão da Bahia, no Museu de Arte Moderna da Bahia (2008);

Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (2005);

. Ocupação no Paço das Artes (2005);

. “Artista Personagem”, na Mariantônia (2004);

. “Vizinhos”, na Galeria Vermelho (2003).

Dentre suas exposições individuais destacam-se:

“Ilhas” no MARP (2010);

. “Nada Mais”, no Ateliê 397 (2009);

“Vista Para o Mar” no Centro Cultural São Paulo (2006);

. “Paisagem #4” no Paço das Artes (2005).

Trabalha como educador em instituições culturais – com oficinas e cursos de treinamento para professores; coordenou o programa educacional da 28th. Bienal de São Paulo. Atualmente é professor de educação fundamental na Escola Ágora.

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