DOMINGO

FÁBIO TREMONTE

18/NOV — 09/JAN 2016

Horário de funcionamento:
Seg a Sex: 10h às 18:30h
Sáb: 10h às 14h

Registro fotográfico: Eduardo Eckenfels

Fábio Tremonte, Domingo.

por Germano Dushá

 

Domingo, etimologicamente, é o primeiro dia, “o dia do senhor”. Seguindo a
narrativa cristã, é quando se escuta sua palavra, quando se fez a luz. É o marco da
ressureição, o dia que inicia-se uma nova criação. O dia sem fim, que orienta a
meta eterna. Para o pagão, é o dia do sol. Para muitos aqui: o dia do Faustão; do
futebol.
Em grande parte da cultura ocidental, é também o dia do descanso. Se somos
então pequenos deuses de nossas rotinas, pode ser o momento em que,
entediados após termos construído nosso mundo, repousamos e pensamos sobre
o fim que ele tomará. Um interlúdio em que resfolegamos pelo que passou e
enfrentamos a sombra do porvir.
Neste “Domingo” para o qual Fábio Tremonte nos convida, logo encontramos a
evidência cortante da confusão – nublada e melancólica – que é fazer este
exercício nos dias de hoje. Enquanto somos postos diante das urgências
estruturais da vida comum, é incontornável: nos sobram dúvidas e descrenças.
Entre proposições e apropriações; estratégias literais e poéticas; gestos duros e
ternos, o artista cria espaço e tempo para sentarmos, comungarmos e refletirmos
sobre o que nos cerca. Se crer num mundo manifestamente em estado terminal é
o que mais nos falta, os trabalhos reunidos partem de uma postura consternada
para soprar provocações, tateando outros possíveis caminhos; sacudindo o
controle; e suscitando novos acontecimentos. Se essas ações encontram, em
qualquer grau, seus efeitos, nos interpelam e motivam: há mundo depois do fim
do mundo?!

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