DAQUILO QUE É PRÓPRIO

MARCELO DRUMMOND

11/AGO — 24/SET 2016

Horário de funcionamento:
Seg a Sex: 10h às 18:30h
Sáb: 10h às 14h

Registro fotográfico: Eduardo Eckenfels

daquilo que é próprio

por Marcelo Drummond

Entre os dias 11 de agosto e 24 de setembro, a Galeria Periscópio abre a exposição Daquilo que é Próprio, de Marcelo Drummond. Para a mostra, o artista e professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com ampla experiência em artes gráficas e artes visuais, se apropria de objetos, símbolos, ícones e signos cotidianos – religiosos, urbanos, institucionais, privados e domésticos – e os desloca para um contexto estético onde há tensão e proposta de ressignificação livre.

Serão, ao todo, 16 obras inéditas criadas a partir de seu domínio sobre mídias diversas e do seu olhar inquieto enquanto artista gráfico e visual. “Acredito que valorizamos hoje, ao contrário do que percebíamos no passado – quando o meio era determinante para a expressão da arte -, um momento onde o suporte é uma transição para a criação”, afirma.

“Fluxograma”, por exemplo, foi produzido em metal que ramifica e incorpora a representação esquemática do convencional diagrama, difundido em empresas e indústrias com a intenção de determinar a fruição e os resultados de processos internos. No objeto artístico, coexistem organização e desordem, fluidez e estagnação, interação e inação, avanço e retrocesso. “Pretendo trazer a possibilidade de reinterpretação do que é fluidez, um espaço entre as lacunas daquilo que dialoga e daquilo que não se comunica. A ideia é, também, rever conceitos sobre o tempo na sociedade contemporânea e elevá-lo a uma percepção mais sensível, acerca do universo onde coabitam a ordem e o caos, sem prendê-los a qualquer forma de interpretação. É uma zona de escape, de transformação que resulta em um equilíbrio instável e pantanoso”, afirma o artista.

Já em “Apito Mudo”, o artista se apropria de um objeto muito usado no espaço urbano para impedir, dar direção, ordenar e /ou coagir fluxos. O objeto cinético, instalado na entrada da galeria e encoberto por uma cortina de fumaça em movimento é, segundo Drummond, a obra mais poética do conjunto exibido. “Acredito que ela possa ser a desconstrução do que é considerado um comando de mudança de sentido, ou seja, o som e o silêncio entram em contato em uma tentativa de ressignificação”, revela.

As obras “Fluxograma” e “O Apito Mudo”, buscam questionar, através do uso de dispositivos urbanos, a manutenção da ordem no espaço público. O ferro fundido, demarcado em amarelo e preto, reconfigura um lugar entre a repulsão e o imperativo, convencionado por meio das cores.

Já na série “Híbridos: água, pedra e queda”, o artista provoca os limites gráficos da palavra escrita, esvaziando e refazendo o seu significado por meio de deslocamentos e secções de sua matéria,  produzindo outras grafias. 

Uma obra site specific desperta dispositivos arquitetônicos típicos do barroco mineiro direcionando o espectador a um trânsito inusitado no espaço expositivo. Portas suspensas, uma releitura dos para-ventos católicos das igrejas barrocas, serão instaladas em um dos espaços da galeria com o propósito de guiar o espectador pelas laterais, projetadas para a transição entre o profano e o sagrado, entre o interior e o exterior. Porém, após a transição, um plano detalhe inquietante apropriado de uma gravura da Sagrada Família, datada de 1580, se apresenta aos olhos do público espectador. “O trajeto  pelas laterais da porta – símbolo de proteção, impedimento, mas também de acesso, discute o limite entre o público e o privado, do doméstico e do urbano, – podem levar o espectador a um microespaço dentro da transição, ou seja, a passagem pode ser catártica, transformadora. E a gravura, reveladora”, destaca Drummond.

O que interessa para o artista é deixar as lacunas abertas em um lugar entre os extremos. “Seria algo entre distintas zonas de conflito de grande tensão poética. São dispositivos que coexistem, mesmo quando os signos parecem apontar, paradoxalmente, o contrário”.

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