Andrea
Brown

1974  Brasil
Vive e trabalha no Rio de Janeiro

Andrea Brown

resumo acadêmico

Atualmente vivendo e trabalhando na cidade do Rio de Janeiro, Andrea Brown estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro, Brasil. Em 2009 participou do Programa de Residência Artística da École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, Paris, France. Em 2004 recebeu o prêmio Novíssimos do IBEU (Instituto Brasil Estados Unidos) onde realizou sua primeira exposição individual. 

FUNDO NEUTRO

Quando caminhões saltam para o universo da pintura, mostrando o ângulo que insinua a part ida , ideias estéticas se expressam através do mundo criado pela arte. Com tal procedimento, Andrea Brown opera uma insólita transmutação no universo coloquial dos caminhões, ao fazer dos mundos guardados nas cargas o motivo de uma questão para o pensamento: de onde vêm e como se movem as moradas que abrigam um mistério plasmado sobre um fundo neutro?

Como o objetivo da arte – segundo Paul Klee (KLEE, 1987) – é tornar visível, entende-se que a operação artística – embora simule uma imitação da realidade – produz uma outra realidade, solucionando problemas de um pensamento estético com a invenção da obra. Assim, o pensamento inventa uma questão como motivo e desdobra nas obras seu desfecho.

SEM LENÇO, SEM DOCUMENTO

Os caminhões de Andrea Brown não tem placas, nem números de remetentes, logo não procedem de nenhum lugar historicamente definido . Além disso, a ausência de frases comumente presentes nos caminhões da história, demonstra o valor que uma questão assume quando o que é presumido se ausenta. A ausência da frase faz saltar a p ergunt a: qual é a frase? E o desafio assumido nas cargas pintadas, e devidamente dobradas em estilos os mais variados, são alcançados com a exata precisão de forçar o espectador a pensar nas moradas móveis com as suas variedades de formas.

 

cÓDIGOS SECRETOS

Criar territórios (DELEUZE&GUATTARI, 1992) é fazer consistir uma morada que conjugue o sensível com a ideia, através de sensações que se conservam na arte. Os caminhões de Andrea vão ao encontro deste apelo na medida que eternizam uma demora – que comumente precede uma partida – para trazer de forma genial um fundo neutro posto ao lado dos caminhões que exprimem moradas de possíveis caminhoneiros.

Isto faz da pintura um empreendimento sintético que coloca na composição de uma imagem, códigos, sinais, estilos de cargas, alturas, texturas de sensações e vibrações afetivas, com o intuito de tornar visível o universo dos caminhoneiros como modos de existências nômades. O fundo neutro elimina a chegada e a arte instaura a morada para caminhoneiros apátridas que vivem o movimento sem referência e finalidade.

Assim, Andrea Brown não só sintoniza seu brilhante trabalho com as teorias da arte construídas no contemporâneo, como atualiza nas suas pinturas o propósito fundamental do universo móvel dos viajantes: o fundo neutro que faz ressaltar a ausência de meta é a demora eterna de um processo que a obra instaura através da pintura.

Por Alterives Maciel

Desde de 2006 Andrea Brown vem participado de diversas exposição coletivas no Brasil e no exterior, com destaque para:

. Rio: Saltfineart Gallery, CA. – EUA, 2014;

. Como Refazer o Mundo: Galeria Luiz Fernando Landeiro, Salvador – Brasil, 2014;

. Gigantes por su propia naturaleza: IVAM Institut Valencià d?Art Modern – Espanha, 2011;

. 36° Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional Contemporâneo: Ribeirão Preto – Brasil, 2011;

. Hold up: Galerie de L´Ecole Nationale Supérieure des Beaux – Arts, Paris – França, 2009;

. Nano Stockolm: Studion 44, Stockolm – Suécia, 2009;

. A última Casa a última Paisagem: Galeria Matias Brotas, Vitória – Brasil, 2007;

. 30 anos esta noite: Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro – Brasil, 2006.

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