UMBERTO COSTA BARROS

Umberto Costa Barros, nascido no Rio de Janeiro, formado pela Escola de Arquitetura e Urbanismos da UFRJ, foi um dos integrantes da chamada Geração AI-5, atuante no Rio de Janeiro, a partir da segunda metade dos anos 1960. Essa década foi marcada pela atuação de duas gerações importantes no cenário da história da arte brasileira. A primeira é constituída por Antônio Dias, Rubens Gerchmam, Roberto Magalhães e Carlos Vergara e influenciada pela Pop Art Norte Americana e pela Nova Figuração Europeia. Geração que ficou conhecida principalmente a partir da exposição Opinião 65. Essa exposição foi uma primeira tentativa de opinar sobre a situação da arte brasileira e simultaneamente sobre a nova realidade política do país após o Golpe Militar de 1964. A segunda, conhecida como Geração AI-5, da qual pertence Umberto Costa Barros, Cildo Meireles, Antônio Manuel, Wanda Pimentel, Claudio Paiva, Artur Barrio, Raimundo Colares, começa a atuar no período mais duro da ditadura militar, com a publicação do Ato Institucional número 5, do dia 13 de dezembro de 1968, vivenciando torturas, prisões, exílio e todas as consequências desse ato. A repressão afetou a atuação das galerias de arte, dos museus e instituições culturais e diante da impossibilidade de mostrar suas obras, esses artistas adotaram como tática, participar de todos os Salões e Bienais que eram realizados no período.

 

Assim como na exposição Do Corpo a Terra, realizada na década de 70 no Palácio das Artes, nessa nova exposição em Belo Horizonte, Umberto cria obras específicas para o espaço da galeria — agora de arquitetura eclética e tombada —, pensando no local tanto como um espaço físico quanto um espaço político da arte.

 

Umberto se interessa pelo espaço através do objeto e do trabalho gráfico, realizando intervenções de organização e desorganização dos elementos constitutivos onde propõe seu trabalho artístico. Na ocasião de “Sangue sem voz”, além das obras específicas, a galeria Periscópio Arte Contemporânea lançará a publicação de entrevista entre o artista e o curador Frederico de Morais, realizada em maio deste ano, remontando um encontro ocorrido também em Belo Horizonte na exposição Do Corpo a Terra.