A Galeria Periscópio Arte Contemporânea apresenta a exposição “Memórias são histórias da pele” com a artista goiana Selma Parreira, a partir do dia 5 de outubro.  As obras foram criadas entre 2015 e 2018 como resultado do projeto “Machina”, um coletivo em que a história do “Armazém Feliz – secos e molhados e a Cerealista” e a máquina de beneficiar arroz e café da família da artista foram pesquisados e transformados em arte através de um olhar singular.  

A exposição está organizada em três momentos distintos, apresentando um breve recorte do projeto. A primeira fase mostra os registros das chamadas “Poéticas do Anil” com o resultado da herança da artista: centenas de pedras de anil, fabricadas para clarear roupas, sendo um lote que ganhou, quando o armazém fechou, no final dos Anos 80. O projeto foi intitulado “Luzalina” — termo inventado por Selma e que significa azul anil. Ela criou anéis com prata e anil, oferecendo-os em caixinhas como preciosidades secretas a lavadeiras do Rio Vermelho, na cidade de Goiás. Uma a uma, as mulheres testavam os anéis nos dedos e contavam suas incríveis histórias de luta pela vida. A sequência dos depoimentos foi batizada de A Dor e os Segredos.

A artista apresenta outra série, “Velar e Revelar”, com obras feitas das sobras de lonas de caminhão que viraram tatuagens. O processo começou no ano de 2000 com as primeiras lonas, originárias da antiga máquina de arroz, adquiridas de caminhões. A sedução pelo desgaste e o posterior reaproveitamento do material e o trabalho dos profissionais relembram o ato de remendar manchas e rasgos das lonas.

A última parte da exposição destaca telas feitas a partir da pesquisa do coletivo Machina no galpão da antiga Cerealista, exibindo uma sorte de painéis exuberantes, feitos em grandes formatos, com planos profundos de cor e um mínimo de alusão narrativa, ora pinturas menores, assumindo um caráter mais geométrico. A professora-associada do Programa Interunidades em Estética e História da Arte da USP e pesquisadora da Universidade de Lisboa, Katia Canton, afirma que as pinturas são híbridas e livres da aparente dicotomia entre abstração e figurativismo. Para Rodrigo Mitre, sócio diretor da Periscópio Arte Contemporânea, é uma oportunidade para o público de Belo Horizonte conhecer a obra e a pesquisa desta artista com mais de 40 anos de carreira nas artes visuais.

Serviço:
Exposição: “Memórias são histórias da pele” – Selma Parreira
Abertura: 5/10/2019 (sábado) – 11h às 17h
Horário de funcionamento: Seg a Sex: 10h às 18:30h | Sáb: 10h às 14h.
Endereço: Av. Álvares Cabral, 534, Lourdes, BH – MG.

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