Marc Davi - Da Morte e do Amor!

O artista Marc Davi provoca o público com a instalação “Da Morte e Do Amor”. Diante da delicada sobremesa composta de goiabada e queijo – batizada de “Romeu e Julieta” – cuidadosamente cortada com precisão geométrica, vislumbra-se a potência escultórica de um corpo feito de camadas. Moldadas, uma a uma, as fatias aglutinam-se como carne. E ao reconfigurar o doce e o queijo, numa montagem silenciosa típica das naturezas-mortas, adentra-se o símbolo da carne em busca do tênue fio quase imperceptível entre a própria carne e o corpo dos amantes trágicos que dão nome ao prato.

O fim trágico desses amantes é, ainda hoje, o mesmo destino que se confere a tudo aquilo que abala o frágil alicerce de nossas linguagens: um aniquilamento que recai sobre o corpo. Se essas esculturas comestíveis constituem a matéria viva de um símbolo decadente, devorá-las desperta um registro antigo do ato ancestral de domar o corpo do outro. A sua destruição é, antes, a negação da ameaça representada.

Mas se por um lado o anestesiamento desse símbolo é engendrado por um cotidiano mecânico repleto de rituais esvaziados, é dentro desse mesmo ciclo de repetições que um apetite de reativação pode ser deflagrado. É como se toda uma potência poética permanecesse em estado de latência e, uma vez desperta, passasse a anunciar, novamente, o quão desastrosa fora a estratégia de tentativa de dissolução. “Da morte e do amor (…)” é sobretudo um rastro.

  • Vista exposição "Da morte e do amor" - Marc Davi

  • Vista exposição "Da morte e do amor" - Marc Davi

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